segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Vovó Zenaide e o Responsório de Santo Antônio


Durante dois anos morei com meus avós maternos: Zenaide e Aarãozinho, em Vitória-ES. Neste tempo pude observar seus hábitos, seus temperamentos, suas visões de vida, suas idiossincrasias. 

Vovó Zenaide - que quase viveu até os cem anos - por exemplo, tinha dois hábitos, que não abandonava nunca: o primeiro era rezar longamente, pela manhã; o outro era o de não comer carne vermelha nas sextas-feiras. Sabe-se lá que promessas fez! Não descumpria, todavia.

Vovó Zenaide com os netos e bisnetos.


Nas manhãs, todos os dias, ela sentava-se na cama e, ao seu redor, espalhava dezenas de santinhos e livrinhos de orações, e ficava, ali, horas e horas. Ela ficou conhecida, contudo, em relação a uma destas orações: o Responsório de Santo Antônio (ou Responso de Santo Antônio).

Vovó tinha um fervor e confiança na intercessão deste santo junto a Deus tão grande que muitas pessoas, quando tinham algum problema a procuravam para ela responsar Santo Antônio a fim de alcançarem graças, e, particularmente, para encontrarem coisas perdidas. E, até onde sei, a oração era eficaz pois ouvi muitos depoimentos que o confirmam. Atribuíam o recebimento destas graças, portanto, à fé de minha avó.

Em que consiste esta oração? Há algumas variantes, transcrevo uma delas, do iBreviary. abaixo:


Responso de Santo Antônio

Se milagres desejais
Recorrei a Santo Antônio;
Vereis fugir o demônio
E as tentações infernais.
Recupera-se o perdido
Rompe-se a dura prisão;
E, no auge do furacão,
Cede o mar embravecido
Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro, a morte;
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo são.
Recupera-se o perdido
Rompe-se a dura prisão;
E, no auge do furacão,
Cede o mar embravecido.
Todos os males humanos
Se moderam, se retiram;
Digam-no os que viram;
Digam-no os paduanos.
Recupera-se o perdido
Rompe-se a dura prisão;
E, no auge do furacão,
Cede o mar embravecido.
V. Rogai por nós, bem-aventurado Santo Antônio.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oração:
Deus eterno e todo-poderoso, que em Santo António destes ao vosso povo um pregador insigne do Evangelho e um poderoso intercessor nas necessidades, concedei que, pelo seu auxílio, sigamos fielmente os ensinamentos da vida cristã e mereçamos a vossa proteção em todas as adversidades.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
Amém.
  
Entre os documentos que nos deixou Vovô Aarão, encontro um Diploma de Irmã Remido da Terra Santa da Vovó Zenaide:










sábado, 30 de julho de 2016

Cidadão Benemérito de Castelo - Aarão Jorge Júnior



Meu avô, Aarão Jorge Júnior - o Aarãozinho, como todos os chamavam - saiu de Castelo muito amargurado. Lançado candidato a prefeito não logrou êxito e perdeu a disputa para um adversário que nenhum benefício trouxera para à cidade. Ele foi ingênuo ao pensar que seu trabalho em prol do povo castelense seria reconhecido em um pleito político. Estamos muito acostumados a ver isto no Brasil: não são as boas obras que elegem alguém, muito pelo contrário. 

Penso, hoje, que foi uma bênção para o meu avô, e para nós, esta decepção. Pois ele continuou em outros lugares a trabalhar para a população. Isto era, por assim dizer, o seu "hobby". Gostava de ajudar ao próximo. Continuou sua obra e nunca mais cogitou a candidatar-se a um cargo político.

Anos depois, o povo de Castelo reconheceu seu trabalho conferindo-lhe o título de Cidadão Benemérito. Foi quando voltou à cidade, e esta única vez, eu acho. 

Trabalhou como servidor público até os 80 anos de idade. E não continuou até a morte, aos 89 anos, porque a lei não o permitia. Mas, continuou ajudando a todos que o procuravam solicitando algum favor, e foram muitos. 

Ao escrever a História de Castelo, o historiador José Eugênio Vieira destinou longas páginas para apresentar o meu avô e suas obras.

Nós, os herdeiros, agradecemos!

DIPLOMA DE CIDADÃO BENEMÉRITO DE CASTELO - ESPÍRITO SANTO


AARÃO JORGE JÚNIOR, em Castello: Origem, Emancipação e Desenvolvimento


quinta-feira, 2 de junho de 2016

Pelos seus frutos os conhecereis

Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória, por amor de vossa misericórdia e fidelidade. 
Casa de Aarão, confia no Senhor: ele é o seu amparo e o seu escudo. (Salmo 113)


Aarão Jorge Júnior e Zenaide Ribeiro Aarão geraram três filhas:


Consuelo Aarão, nascida em 9 de maio de 1938
Regina Martha Aarão, nascida em 28 de fevereiro de 1939
Bernadete Aarão, nascida em 17 de junho de 1950


Aarão e Zenaide

Aarão e Zenaide e as filhas:
Regina Martha (esquerda); Bernadete (centro) e Consuelo (direita)



Consuelo casou-se com Cesar e gerou três filhas:

Rachel, nascida em 7 de fevereiro de 1964
Patrícia, nascida em 1 de abril de 1965
Silvana, nascida em 12 de janeiro de 1968

Consuelo

Rachel

Patrícia

Silvana


Regina Martha casou-se com José  e gerou dois filhos:

Tânia Cristina, nascida em 5 de agosto de 1960
Cláudio José, nascido em 20 de novembro de 1961

Regina Martha


Tânia Cristina

Cláudio José



Betina (Bernadete) casou-se com Maxime e gerou 1(um) filho:

Philippe, nascido em 12 de março de 1981


Betina

Philippe


Tânia Cristina casou-se com Benedito Eduardo e gerou dois filhos:

Gabriela, nascida em 4 de julho de 1988
Pedro, nascido em 2 de julho de 1996

Gabriela
Um dia, entro em casa, e Gabi - bem pequenininha - olhou-me com os olhinhos brilhando e disse: "Dindão"! Nunca mais fui o mesmo, e meu nome mudou. (Cláudio, ou, como quis a Gabi, "Dindão"). 






Pedro
Pedrinho é um Gentlheman! Desde a mais tenra idade já se portava com um verdadeiro homem nobre, no sentido mais puro da palavra: gentil com todos, carinhoso, atencioso, de uma simpatia ímpar. Um "amigão". (Dindão) 





Patrícia casou-se com Luiz e gerou três filhos

Gabriel, nascido em 27 de agosto de 1996
Luiza, nascida em 14 de agosto de 1999
Luana, nascida em 14 de agosto de 1999

Gabriel

Luana

Luiza


Silvana casou-se com Renato e gerou 1(um) filho:

Bruno, nascido em 5 de fevereiro de 1996


Bruno



No plano de Deus Criador e Redentor a família descobre não só a sua «identidade», o que «é», mas também a sua «missão», o que ela pode e deve «fazer». As tarefas, que a família é chamada por Deus a desenvolver na história, brotam do seu próprio ser e representam o seu desenvolvimento dinâmico e existencial. Cada família descobre e encontra em si mesma o apelo inextinguível, que ao mesmo tempo define a sua dignidade e a sua responsabilidade: família, «torna-te aquilo que és»!
A família possui vínculos vitais e orgânicos com a sociedade, porque constitui o seu fundamento e alimento contínuo mediante o dever de serviço à vida: saem, de facto, da família os cidadãos e na família encontram a primeira escola daquelas virtudes sociais, que são a alma da vida e do desenvolvimento da mesma sociedade.
Assim por força da sua natureza e vocação, longe de fechar-se em si mesma, a família abre-se às outras famílias e à sociedade, assumindo a sua tarefa social(Familiaris Consortio)




segunda-feira, 30 de maio de 2016

Capela Nossa Senhora das Graças - Castelo (ES)


«O’ Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós! »



História de S. Catarina Labouré N. S. das Graças, ou da "Medalha Milagrosa"


"A Capela Nossa Senhora da Medalha Milagrosa é um importante lugar de oração e peregrinação, que atrai inúmeros fiéis, vindos do mundo inteiro, desejosos de um momento de recolhimento e da proteção da Virgem Maria".
Este santuário está situado no coração de Paris, na Rue du Bac, 140.
O Corpo Incorrupto de Santa Catarina Labouré


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 A Medalha

médaille miraculeuseNesta Capela, escolhida por Deus, a Virgem Maria, em pessoa, veio revelar sua identidade através de um pequeno objeto, uma medalha, destinada a todos sem distinção!
A identidade de Maria era objeto de controvérsia entre teólogos, desde os primeiros tempos da Igreja. Em 431, o Concílio de Éfeso tinha proclamado o primeiro dogma marial: Maria é mãe de Deus. A partir de 1830, a invocação:
« O’ Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós »
que sobe ao céu, milhares e milhares de vezes repetida por milhares e milhares de corações de cristãos do mundo inteiro, a pedido da própria Mãe de Deus, vai produzir seu efeito!
A 8 de dezembro de 1854, Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição: por uma graça especial que lhe vinha da morte de seu Filho, Maria é sem pecado desde o começo de sua concepção.
Quatro anos mais tarde, em 1858, as aparições de Lourdes irão confirmar a Bernadette Soubirous, o privilégio da mãe de Deus.
Coração Imaculado, Maria é a primeira resgatada pelos méritos de Jesus Cristo. Ela é luz para nossa terra. Todos somos como a Virgem Maria, destinados à felicidade eterna.
Uma medalha, milagrosa… por quê?… luminosa em quê?… e dolorosa?

A MEDALHA traz no seu reverso uma inicial e desenhos que nos introduzem no segredo de Maria.
lettre MA letra « M » está encimada pela Cruz do Cristo.
Os dois sinais entrelaçados mostram a relação indissolúvel que liga o Cristo à sua Santíssima Mãe. Maria está associada à missão Salvífica da humanidade pelo seu Filho Jesus e participa pela sua compaixão no próprio ato do sacrifício redentor do Cristo.
Em baixo, dois corações, um contornado de uma coroa de espinhos, o outro transpassado por uma lança.coeurs MM
O coração coroado de espinhos, é o Coração de Jesus. Lembra o episódio cruel da Paixão do Cristo, narrado nos evangelhos, antes de sua morte. Significa sua Paixão de amor pelos homens.
Este coração transpassado por uma lança, é o Coração de Maria, sua Mãe. Lembra a profecia de Simeão contada nos evangelhos, no dia da Apresentação de Jesus no templo de Jerusalém, por Maria e José. Significa o amor do Cristo que invade Maria e seu amor por nós: pela nossa Salvação, Ela aceita o sacrifício do seu próprio Filho.
A aproximação dos dois Corações expressa que a vida de Maria é vida de intimidade com Jesus.
12 étoiles MM
Doze estrelas
 estão gravadas ao redor da medalha.
Correspondem aos doze apóstolos e representam a Igreja. Ser Igreja, é amar o Cristo e participar de sua paixão pela Salvação do mundo. Cada batizado é convidado a associar-se à missão do Cristo, unindo seu coração aos Corações de Jesus e de Maria.
A medalha é um apelo à consciência de cada um, para que escolha, como o Cristo e Maria, o caminho do amor, até o dom total de si mesmo.



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A Capela de Nossa Senhora das Graças em Castelo - Espírito Santo



Depois da construção da Santa Casa de Misericórdia de Castelo, e estando esta em pleno funcionamento, Aarãozinho de empenhou na edificação de uma Capela, dedicada a Nossa Senhora das Graças, em anexo à Santa Casa.

Ele conta em suas memórias:

Tendo em vista que a Irmandade das Irmãs Vicentinas era a das melhores colaboradoras para atender os pobres e doentes da Instituição e, como religiosas, não possuíam uma Capela, por esta razão, de modo próprio, resolvi construir ao lado do novo prédio... e para tal fim, como era de meu desejo, construir condigna. Fui orientado para conhecer a Capela do Colégio Militar do Rio de Janeiro e, para ali me dirigi, juntamente com minha esposa e procuramos o vigário ou o Diretor da Escola Militar. Lamentavelmente não os encontramos e, assim sendo, rabisquei em um envelope, as características da Capela, por fora, por dentro, e tudo quanto seria necessário para sua construção. Conclamei, novamente, o construtor Sr. Pedro Pereira e ali demarcamos o local melhor possível para atender as irmãs e a própria população. Quando iniciávamos a construção, ali chegou o então Prefeito e ousou embargar a obra, porque pretendia abrir uma rua, por dentro dos terrenos da Santa Casa, para sair em Santo Andrezinho. Discutimos o assunto e, lhe afiancei que a obra seria prosseguida e a rua, naturalmente, não sairia, por dentro dos terrenos da Santa Casa, porque não havia lei anterior nesse sentido.

Para pintar o respectivo teto e o altar, tivemos a oportunidade de chamar um pintor humilde que ali existia de nome José Rodrigues, a quem dei os originais para a respectiva pintura. Apesar de não ter sido feito por um grande pintor, naquela oportunidade foi acolhida com satisfação.

Concluída a construção, devo dizer das dificuldades por mim encontradas para a confecção da porta de ferro, com o desenho, por mim idealizado, o que me obrigou a procurar um ferreiro no município de Alegra, que aceitou a incumbência, porém fiz duas ou três vezes, viagens àquele local para entregá-la no dia.

Meu desejo era fazer o altar e, bem assim as escadas do mesmo altar e da frente, em mármore. Para conseguir tal aquisição, dirigi-me ao então Governador Dr. Jones dos Santos Neves e S. Excia. prometeu e cumpriu a remessa de vinte contos de réis para sua confecção, feita por um marmorista de Campos (RJ) que se obrigou ao seu assentamento. Existe uma placa de mármore, pequena, com o nome do então Governador, como gratidão pela oferta, colocada aos pés do altar.

Para aquisição das imagens e demais paramentos dirigi-me ao Rio e, na Casa Sucena os adquiri e devem estar guardados com a Irmandade.

Para sua inauguração, dirigi-me à Vitória e em companhia do saudoso Dr. José Pinheiro Monteiro, então Promotor Público de Castello, com o objetivo de convidar o novo Bispo do Espírito Santo, o saudoso Dom José Joaquim Gonçalves, que nos atendeu com sua proverbial atenção, para realizar a inauguração no dia 1º de junho. Porém, S. Exa. Revmª, após acolhida nossa intenção, disse-nos que nesse dia já havia determinado o seu comparecimento em outra festividade em Vitória, porém, poderia comparecer no dia oito (8) do mesmo mês, sendo essa sua primeira visita ao interior do Estado. S. Exc. compareceu e presidiu a inauguração com a presença de vários sacerdotes e do povo de Castello, em geral. Fui a Cachoeiro de Itapemirim, convidei as autoridades locais e bem como a Diretora da Escola de Música das adolescentes para abrilhantarem aquela majestosa inauguração, para cujo fim construí um coreto ao lado da Capela. As estudantes, todas uniformizadas, cantaram e tocaram várias músicas, dando-nos um brilhantismo excepcional.

Tenho aqui, em meu poder, o abaixo assinado dirigido ao povo de Castello, fazendo-lhes um apelo para nos ajudar com qualquer contribuição para a consecução do objetivo almejado. O apelo foi assinado por mim e pela querida Irmã Pedrosa, então Superiora das Irmãs da Santa Casa. Felizmente, esse apelo foi feito em data de 8/09/1951 e as contribuições recebidas nos ajudaram plenamente para a consecução de nosso objetivo. Vou anexá-la ao presente para fazer parte do arquivo da memória de Castello, assim como um convite feito para a inauguração.
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Fotos do Arquivo da Família Aarão



Altar da Capela

Altar da Capela


Coro da Capela


Convite para a inauguração

Inauguração da Capela

Notícias da Inauguração


Murais no Interior da Capela



Santa Cecília

Anjo da Guarda

Aparição de Nossa Senhora em Lourdes

Segunda Aparição à St. Catarina Labouré

Primeira Aparição à St. Catarina Labouré

Terceira Aparição à St. Cararina Labouré

Nossa Senhora da Penha de Vitória (ES)

Aparição de Nossa Senhora em Fátima (Portugal)

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil



Carta do Governador Jones dos S. Neves agradecendo 

Agradecimento do Bispo Dom José Joaquim Gonçalves




A Capela em foto recente


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NESTE DIA, em que escrevo esta página, recebi, inesperadamente, a Medalha Milagrosa, que me foi enviada pela Associação Cultural e Artística Nossa Senhora das Graças.


A Medalha Milagrosa recebida nesta data por mim.
Que chegueis a conhecer plenamente a vontade de Deus, com toda a sabedoria e como discernimento da luz do Espírito. Pois deveis levar uma vida digna do Senhor, para lhe serdes agradáveis em tudo. Deveis produzir frutos em toda boa obra e crescer no conhecimento de Deus, animados de muita força, pelo poder de sua glória, de muita paciência e constância, com alegria. (Cl 1: 9-11)


 Niterói, 30 de Maio de 2016 - Mês de Maria.
Cláudio José Aarão Rangel



terça-feira, 24 de maio de 2016

Santa Casa de Misericórdia de Castelo - ES





Aarãozinho, sua esposa Zenaide e as filhas: Consuelo (direita)
Regina Martha (esquerda) e Bernadete (centro)
Aarão Jorge Junior, o Aarãozinho, meu avô,  além da família, quase que equiparadamente amava e falava orgulhosamente de algumas obras públicas que colaborara decisivamente para a sua concretização: a Santa Casa de Misericórdia de Castelo - Espírito Santo; a Capela Nossa Senhora das Graças ; e as escolas, em Castelo e em Ibiraçu, no norte do Espírito Santo, então uma pequenina vila. E passeando nos arquivos que nos deixou – com dezenas de fotos e documentos - constatamos que  era verdadeiro este amor por estes empreendimentos, os quais tratava como se filhos fossem.





Santa Casa de Misericórdia de "Castello" 




A Santa Casa no seu início.
Aarãozinho, em depoimento para a Memória de Castelo - e transcrita no livro 'Castello": Origem, Emancipação e Desenvolvimento" (1), nos legou as seguintes palavras sobre a história da construção da Santa Casa de Misericórdia, em Castelo, que ficou conhecida, no seu tempo, como uma das unidades de saúde mais modernas em atendimento e equipagem, inclusive, face às existentes na Capital do Estado:




Antes da construção da Santa Casa de Misericórdia, em Castelo, a cidade só contava, para atendimento à saúde da população com um pequeno dispensário: o Dispensário Santo Antônio. Este funcionava em um sobrado alugado, onde eram dispensados serviços médicos e gratuitamente. Ocorreu que o proprietário do sobrado mudou-se para o Rio de Janeiro, enquanto as senhoras Elzira Vivacqua dos Santos e Naly Faria Marques se ocupavam da administração.


Tudo corria bem com o dispensário, até que, um ou dois anos depois o Dr Francisco [proprietário do imóvel] solicitou de ambas a devolução de camas e mesas ou a remessa de, apenas, oitocentos mil réis (R$ 800$000). As duas ilustres damas não sabiam como fazer, ficaram embaraçadas porque não tinham o dinheiro solicitado. Nessa oportunidade, encontrava-me, por acaso, na farmácia do saudoso Sr. Elmo Ribeiro do Val. Quando, inopinadamente, ali chegaram as duas senhoras e relataram ao Sr. Elmo, em prantos, característica da saudosa D. Elzira, a situação embaraçosa na qual se encontravam por não possuírem, naquela oportunidade, a importância que lhes era solicitada, antevendo, assim, o desaparecimento de uma obra social de seus sonhos, que vinha prestando relevantes serviços à pobreza e aos doentes desvalidos.


Inauguração da Maternidade


Eu era, nessa oportunidade, apenas um assistente de seus dissabores, cujas lágrimas dilaceraram meu coração, e por esta razão, inopinadamente, tomei a liberdade de oferecer àquelas duas ilustres damas que vinham prestando relevantes serviços aos doentes e à pobreza de Castello, redigir um Abaixo Assinado para conseguir toda a importância por elas desejada, deixando-as esperançosas. Ato contínuo dirigi-me ao Cartório e redigi um abaixo assinado na expectativa de conseguir a importância desejada. Pus-me em campo e, primeiramente, procurei o Prefeito Dr. Mario Lima e solicitei de S. Excia a assinatura de uma importância de cinco mil cruzeiros ou melhor cinco contos de réis, apenas como chamariz, em nome da prefeitura, sem necessitar da importância.


Coloquei neste abaixo assinado a grande obra meritória das duas ilustres damas e, imediatamente assinei Rs 100$000 e assim fui conseguindo dos saudosos Elmo, Oscar Rangel, Taninho, Gatinho, Elias Mussi, Julio V. Cunha, Anysio Moreira Novais, Carlos Albuquerque, Sebastião Morais, Dr. Gastão e Cícero e tantos outros beneméritos de Castello, a importância de cinco contos de réis. Quando terminei a coleta acima referida, fiz a entrega do abaixo assinado e a importância colhida, recebi de ambas as senhoras o reconhecimento e a gratidão, pelos relevantes serviços que vinha prestando ao povo humilde da cidade e do interior. E a obra continuou indefinidamente.


Mesmo sabendo que seria uma obra gigantesca não esmorecemos em nosso ideal e assim, procurei, desde logo, a figura inesquecível do então vigário Padre Antolin, querido por toda a população de Castello, para levarmos avante tal empreendimento. S. Sa., espírito empreendedor não teve dúvidas em aceitar a idéia e, desde logo, nos dirigimos ao então prefeito, o saudoso Mario Lima, que acolheu o nosso  objetivo e por esta razão marcamos, uma reunião na prefeitura, sendo convidados para participarem da mesma os Srs. Archilau Vivacqua, Elmo Ribeiro do Val, Antônio Bento, Caio Machado Martins, Sizenando Silva e o saudoso Oscar Rangel. Não havia, naquela oportunidade, qualquer discórdia religiosa entre Católicos e Protestantes, todos comungavam dos mesmo ideais. Nessa oportunidade, depois de feitos os primeiros esclarecimentos e aceita a idéia, opinei para que o ilustre Prefeito dosse.o Presidente da Comissão, com a qual todos concordavam. Em seguida, o Dr. Mario Lima indicou o Padre Antolin, para Vice_Presidente e meu nome para Secretário Geral, sendo por todos acolhida as indicações.


A 27 de maio de 1943 reunia-se, então, pela primeira vez, no salão nobre da Prefeitura Municipal de Castello, sob a égide do Prefeito Dr. Mario Lima, uma grupo de cidadãos, certos de sua nobre missão, para unir num só esforço, num único pensamento, a fundação de uma Santa Casa de Misericórdia.Comissão:Presidente: Dr. Mario LimaVice-Presidente: Padre Antolin GonçalvesTesoureiro: Archilau VivacquaMembros Diretores: Elmo Ribeiro do Val; Antônio Bento; Caio Machado Martins e Sizenando Silva.“Orador”: Aarão Jorge Junior


Nessa oportunidade foi lavrada em seguida, a competente ata, quando foram registradas todas as reivindicações como lavratura dos Estatutos, em primeiro lugar, cuja confecção foi feita à noite, em meu Cartório, com a presença de alguns membros. Nova reunião foi feita e aprovados os Estatutos. Em seguida, de comum acordo com o extraordinário Padre Antolin, todos os sábados e domingos saíamos para o interior e, após a celebração das missas, incitávamos os fazendeiros e demais cidadãos para colaborarem com qualquer quantia para a consecução de tão vultuosa obra, em benefício do povo de Castello.


Fomos bem acolhidos em todas as nossas reivindicações, porque o povo generoso do interior do município compreendeu, desde logo, a obra benemérita que se realizaria para atender a pobreza a aos doentes de todo o município, que, naquela oportunidade abrangia os então distritos de Conceição de Castello e Venda Nova, hoje constituídos municípios independentes.


Santa Casa de Misericórdia de Castelo


Depois de percorrido todo o município de Castello e bem assim, os então distritos de Conceição de Castello e Venda Nova e ainda o de Aracuí, resolvemos fazer uma comissão composta por mim, Pe Antolin, Abílio de Tassis e Antônio Bento com a finalidade de conseguir mais recursos na cidade do Rio de Janeiro e posteriormente Vitória e Cachoeiro do Itapemirim, cujos doadores tiveram seus nomes inscritos no respectivo livro de atas e também constante nos estatutos, como gratidão a todos aqueles que, de boa vontade contribuíram com suas ofertas grandes e pequenas.


Com algum dinheiro em caixa tornava-se indispensável adquirir o terreno no melhor e mais condizente local para a construção da futura Santa Casa de Misericórdia. Proclamada essa intenção e marcado o dia da reunião na Prefeitura, sob a Presidência do então Prefeito e Presidente da Comissão, ali compareceram os pretendentes à venda Sr. Edson Guimarães, oferecendo os terrenos do antigo campo de esporte do Castelo F. C.; Argelim Cola, oferecendo suas casas ali no centro da cidade; o representante do proprietário dos terrenos do lado oposto do rio, próximo à antiga chácara da família Egydio Vivacqua, de quem já havia adquirido. Posta as propostas sobre a mesa e estudadas suas condições e conveniências, como Secretário da Comissão, propus a aceitação da compra da chácara então pertencente a Cid Azevedo, no centro da cidade, onde havia um velho casarão da família citada e uma área de terra com muitas árvores frutíferas, com 16.000 metros quadrados, partindo da rua Antônio Machado na confluência com a rua Cruz Maia, hoje denominada Antônio Bento, em linha reta até a confluência com a rua que se dirige ao bairro de Santo Andrezinho e dali partindo até encontrar o Rio Castello. O preço oferecido por Cid Azevedo foi de, apenas, sessenta contos de réis, de cuja importância, retiraria cinco contos de réis, como contribuição para a construção da Santa Casa. Postas as propostas em votação, por unanimidade foi aceita a compra dos terrenos pertencentes a Cid Azevedo, porque esta oferecia, sob todos os títulos as melhores condições.


Lavrada em seguida, a competente escritura, a Comissão mandou confeccionar a antiga planta, para ser construída na confluência das ruas hoje denominadas Antônio Bento com a rua Antônio Machado, cujo frontispício ou fachada, ficaria na esquina das citadas ruas.


Concluída a construção a comissão, desde logo, pôs-se em campo para adquirir os necessários equipamentos como móveis e maquinários, tanto para a sala de operações, como para os quartos e enfermarias, fogão, louças, panelas e ainda talheres, roupas e tudo o mais para complementação da grandiosa obra que seria, por certo, um grandioso empreendimento para a consecução de um ideal em benefício da coletividade.


É indispensável esclarecer que, logo após à aquisição do referido terreno da Santa Casa, já havia no local onde hoje encontra-se a Capela, um velho prédio assobradado, antiga residência da família Egydio Vivacqua. Tudo de acordo com o saudoso médico Dr. Gastão Correa de Lima, naquele velho prédio instalamos consultórios, farmácia, secretaria, bem como enfermaria para os doentes mais graves e pobres, e tudo o mais que se fizesse indispensável para o pronto atendimento, até a inauguração da própria Santa Casa.
Mensagem do Bispo - Dom José J. Fernandes
Em 3 de dezembro de 1944, em Assembléia Geral Extraordinária, realizada nas dependências do Castello Club, era eleita a Diretoria Definitiva, com mandato de 2 anos, composta por:

Presidente: Mário Corrêa Lima

Vice-Presidente: Padre Antolin Rodrigues

Tesoureiro: Archilau Vivacqua

Secretário: Aarão Jorge Júnior

Membros Diretores: Caio Machado Martins; Sizenando Silva; Elmo Ribeiro do Val e Antônio Bento.


A relação dos sócios fundadores da Santa Casa, listados, naquela ocasião era composta de 303 cidadãos.


Concluída a construção da Santa Casa, os membros da Comissão construtora, estabeleceram o dia de sua inauguração, ou seja, 19 de outubro de 1947.


Aarãozinho proferindo o Dircurso de Inauguração da Santa Casa

Tivemos a honra de convidar para presidir sua inauguração o eminentíssimo e saudoso Bispo Diocesano do Espírito Santo, Dom Luiz Scortegagna e bem assim numerosos Padres, além da convocação do povo de todo o município e do então Governador do Estado Dr. Jones dos Santos Neves.


Discurso publicado na imprensa local (final)

As ilustres damas D Elzira Vivacqua e Nali Faria Marques, já haviam entrado em entendimento com a Superiora Geral das Irmãs Vicentinas, e S. Exca. Revma. Concordou e enviou três irmãs que assistiram as festividades, e, em seguida, continuaram, como até hoje [data do depoimento] prestando relevantes serviços à comunidade.


Mantive correspondência com a D.D. Superiora Geral da Irmandade Irmã Blanchot, dando-nos completa assistência.


O povo do município participou, de maneira prodigiosa àquela belíssima solenidade, para a qual tive a honra e a glória de fazer o discurso inaugural, com a presença de todos os membros da Diretoria e do povo em geral.


Concluída, em 19 de outubro de 1947, foi entregue às Rvmas Irmãs Vicentinas a Santa Casa de Misericórdia de Castello. E, constituída uma Diretoria, fui eleito seu Presidente e, consequentemente seu Provedor, dando-lhe a indispensável assistência.

SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE CASTELO (tempo presente)

Verão a sua face e o seu nome estará sobre suas frontes. (Ap. 22: 4)



Notas:

(1) VIEIRA, José Eugênio. 'Castello': Origem, Emancipação e Desenvolvimento. Vitória: Traço Certo, 2004.