segunda-feira, 30 de maio de 2016

Capela Nossa Senhora das Graças - Castelo (ES)


«O’ Maria concebida sem pecado, rogai por nós, que recorremos a Vós! »



História de S. Catarina Labouré N. S. das Graças, ou da "Medalha Milagrosa"


"A Capela Nossa Senhora da Medalha Milagrosa é um importante lugar de oração e peregrinação, que atrai inúmeros fiéis, vindos do mundo inteiro, desejosos de um momento de recolhimento e da proteção da Virgem Maria".
Este santuário está situado no coração de Paris, na Rue du Bac, 140.
O Corpo Incorrupto de Santa Catarina Labouré


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 A Medalha

médaille miraculeuseNesta Capela, escolhida por Deus, a Virgem Maria, em pessoa, veio revelar sua identidade através de um pequeno objeto, uma medalha, destinada a todos sem distinção!
A identidade de Maria era objeto de controvérsia entre teólogos, desde os primeiros tempos da Igreja. Em 431, o Concílio de Éfeso tinha proclamado o primeiro dogma marial: Maria é mãe de Deus. A partir de 1830, a invocação:
« O’ Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós »
que sobe ao céu, milhares e milhares de vezes repetida por milhares e milhares de corações de cristãos do mundo inteiro, a pedido da própria Mãe de Deus, vai produzir seu efeito!
A 8 de dezembro de 1854, Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição: por uma graça especial que lhe vinha da morte de seu Filho, Maria é sem pecado desde o começo de sua concepção.
Quatro anos mais tarde, em 1858, as aparições de Lourdes irão confirmar a Bernadette Soubirous, o privilégio da mãe de Deus.
Coração Imaculado, Maria é a primeira resgatada pelos méritos de Jesus Cristo. Ela é luz para nossa terra. Todos somos como a Virgem Maria, destinados à felicidade eterna.
Uma medalha, milagrosa… por quê?… luminosa em quê?… e dolorosa?

A MEDALHA traz no seu reverso uma inicial e desenhos que nos introduzem no segredo de Maria.
lettre MA letra « M » está encimada pela Cruz do Cristo.
Os dois sinais entrelaçados mostram a relação indissolúvel que liga o Cristo à sua Santíssima Mãe. Maria está associada à missão Salvífica da humanidade pelo seu Filho Jesus e participa pela sua compaixão no próprio ato do sacrifício redentor do Cristo.
Em baixo, dois corações, um contornado de uma coroa de espinhos, o outro transpassado por uma lança.coeurs MM
O coração coroado de espinhos, é o Coração de Jesus. Lembra o episódio cruel da Paixão do Cristo, narrado nos evangelhos, antes de sua morte. Significa sua Paixão de amor pelos homens.
Este coração transpassado por uma lança, é o Coração de Maria, sua Mãe. Lembra a profecia de Simeão contada nos evangelhos, no dia da Apresentação de Jesus no templo de Jerusalém, por Maria e José. Significa o amor do Cristo que invade Maria e seu amor por nós: pela nossa Salvação, Ela aceita o sacrifício do seu próprio Filho.
A aproximação dos dois Corações expressa que a vida de Maria é vida de intimidade com Jesus.
12 étoiles MM
Doze estrelas
 estão gravadas ao redor da medalha.
Correspondem aos doze apóstolos e representam a Igreja. Ser Igreja, é amar o Cristo e participar de sua paixão pela Salvação do mundo. Cada batizado é convidado a associar-se à missão do Cristo, unindo seu coração aos Corações de Jesus e de Maria.
A medalha é um apelo à consciência de cada um, para que escolha, como o Cristo e Maria, o caminho do amor, até o dom total de si mesmo.



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A Capela de Nossa Senhora das Graças em Castelo - Espírito Santo



Depois da construção da Santa Casa de Misericórdia de Castelo, e estando esta em pleno funcionamento, Aarãozinho de empenhou na edificação de uma Capela, dedicada a Nossa Senhora das Graças, em anexo à Santa Casa.

Ele conta em suas memórias:

Tendo em vista que a Irmandade das Irmãs Vicentinas era a das melhores colaboradoras para atender os pobres e doentes da Instituição e, como religiosas, não possuíam uma Capela, por esta razão, de modo próprio, resolvi construir ao lado do novo prédio... e para tal fim, como era de meu desejo, construir condigna. Fui orientado para conhecer a Capela do Colégio Militar do Rio de Janeiro e, para ali me dirigi, juntamente com minha esposa e procuramos o vigário ou o Diretor da Escola Militar. Lamentavelmente não os encontramos e, assim sendo, rabisquei em um envelope, as características da Capela, por fora, por dentro, e tudo quanto seria necessário para sua construção. Conclamei, novamente, o construtor Sr. Pedro Pereira e ali demarcamos o local melhor possível para atender as irmãs e a própria população. Quando iniciávamos a construção, ali chegou o então Prefeito e ousou embargar a obra, porque pretendia abrir uma rua, por dentro dos terrenos da Santa Casa, para sair em Santo Andrezinho. Discutimos o assunto e, lhe afiancei que a obra seria prosseguida e a rua, naturalmente, não sairia, por dentro dos terrenos da Santa Casa, porque não havia lei anterior nesse sentido.

Para pintar o respectivo teto e o altar, tivemos a oportunidade de chamar um pintor humilde que ali existia de nome José Rodrigues, a quem dei os originais para a respectiva pintura. Apesar de não ter sido feito por um grande pintor, naquela oportunidade foi acolhida com satisfação.

Concluída a construção, devo dizer das dificuldades por mim encontradas para a confecção da porta de ferro, com o desenho, por mim idealizado, o que me obrigou a procurar um ferreiro no município de Alegra, que aceitou a incumbência, porém fiz duas ou três vezes, viagens àquele local para entregá-la no dia.

Meu desejo era fazer o altar e, bem assim as escadas do mesmo altar e da frente, em mármore. Para conseguir tal aquisição, dirigi-me ao então Governador Dr. Jones dos Santos Neves e S. Excia. prometeu e cumpriu a remessa de vinte contos de réis para sua confecção, feita por um marmorista de Campos (RJ) que se obrigou ao seu assentamento. Existe uma placa de mármore, pequena, com o nome do então Governador, como gratidão pela oferta, colocada aos pés do altar.

Para aquisição das imagens e demais paramentos dirigi-me ao Rio e, na Casa Sucena os adquiri e devem estar guardados com a Irmandade.

Para sua inauguração, dirigi-me à Vitória e em companhia do saudoso Dr. José Pinheiro Monteiro, então Promotor Público de Castello, com o objetivo de convidar o novo Bispo do Espírito Santo, o saudoso Dom José Joaquim Gonçalves, que nos atendeu com sua proverbial atenção, para realizar a inauguração no dia 1º de junho. Porém, S. Exa. Revmª, após acolhida nossa intenção, disse-nos que nesse dia já havia determinado o seu comparecimento em outra festividade em Vitória, porém, poderia comparecer no dia oito (8) do mesmo mês, sendo essa sua primeira visita ao interior do Estado. S. Exc. compareceu e presidiu a inauguração com a presença de vários sacerdotes e do povo de Castello, em geral. Fui a Cachoeiro de Itapemirim, convidei as autoridades locais e bem como a Diretora da Escola de Música das adolescentes para abrilhantarem aquela majestosa inauguração, para cujo fim construí um coreto ao lado da Capela. As estudantes, todas uniformizadas, cantaram e tocaram várias músicas, dando-nos um brilhantismo excepcional.

Tenho aqui, em meu poder, o abaixo assinado dirigido ao povo de Castello, fazendo-lhes um apelo para nos ajudar com qualquer contribuição para a consecução do objetivo almejado. O apelo foi assinado por mim e pela querida Irmã Pedrosa, então Superiora das Irmãs da Santa Casa. Felizmente, esse apelo foi feito em data de 8/09/1951 e as contribuições recebidas nos ajudaram plenamente para a consecução de nosso objetivo. Vou anexá-la ao presente para fazer parte do arquivo da memória de Castello, assim como um convite feito para a inauguração.
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Fotos do Arquivo da Família Aarão



Altar da Capela

Altar da Capela


Coro da Capela


Convite para a inauguração

Inauguração da Capela

Notícias da Inauguração


Murais no Interior da Capela



Santa Cecília

Anjo da Guarda

Aparição de Nossa Senhora em Lourdes

Segunda Aparição à St. Catarina Labouré

Primeira Aparição à St. Catarina Labouré

Terceira Aparição à St. Cararina Labouré

Nossa Senhora da Penha de Vitória (ES)

Aparição de Nossa Senhora em Fátima (Portugal)

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil



Carta do Governador Jones dos S. Neves agradecendo 

Agradecimento do Bispo Dom José Joaquim Gonçalves




A Capela em foto recente


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NESTE DIA, em que escrevo esta página, recebi, inesperadamente, a Medalha Milagrosa, que me foi enviada pela Associação Cultural e Artística Nossa Senhora das Graças.


A Medalha Milagrosa recebida nesta data por mim.
Que chegueis a conhecer plenamente a vontade de Deus, com toda a sabedoria e como discernimento da luz do Espírito. Pois deveis levar uma vida digna do Senhor, para lhe serdes agradáveis em tudo. Deveis produzir frutos em toda boa obra e crescer no conhecimento de Deus, animados de muita força, pelo poder de sua glória, de muita paciência e constância, com alegria. (Cl 1: 9-11)


 Niterói, 30 de Maio de 2016 - Mês de Maria.
Cláudio José Aarão Rangel



terça-feira, 24 de maio de 2016

Santa Casa de Misericórdia de Castelo - ES





Aarãozinho, sua esposa Zenaide e as filhas: Consuelo (direita)
Regina Martha (esquerda) e Bernadete (centro)
Aarão Jorge Junior, o Aarãozinho, meu avô,  além da família, quase que equiparadamente amava e falava orgulhosamente de algumas obras públicas que colaborara decisivamente para a sua concretização: a Santa Casa de Misericórdia de Castelo - Espírito Santo; a Capela Nossa Senhora das Graças ; e as escolas, em Castelo e em Ibiraçu, no norte do Espírito Santo, então uma pequenina vila. E passeando nos arquivos que nos deixou – com dezenas de fotos e documentos - constatamos que  era verdadeiro este amor por estes empreendimentos, os quais tratava como se filhos fossem.





Santa Casa de Misericórdia de "Castello" 




A Santa Casa no seu início.
Aarãozinho, em depoimento para a Memória de Castelo - e transcrita no livro 'Castello": Origem, Emancipação e Desenvolvimento" (1), nos legou as seguintes palavras sobre a história da construção da Santa Casa de Misericórdia, em Castelo, que ficou conhecida, no seu tempo, como uma das unidades de saúde mais modernas em atendimento e equipagem, inclusive, face às existentes na Capital do Estado:




Antes da construção da Santa Casa de Misericórdia, em Castelo, a cidade só contava, para atendimento à saúde da população com um pequeno dispensário: o Dispensário Santo Antônio. Este funcionava em um sobrado alugado, onde eram dispensados serviços médicos e gratuitamente. Ocorreu que o proprietário do sobrado mudou-se para o Rio de Janeiro, enquanto as senhoras Elzira Vivacqua dos Santos e Naly Faria Marques se ocupavam da administração.


Tudo corria bem com o dispensário, até que, um ou dois anos depois o Dr Francisco [proprietário do imóvel] solicitou de ambas a devolução de camas e mesas ou a remessa de, apenas, oitocentos mil réis (R$ 800$000). As duas ilustres damas não sabiam como fazer, ficaram embaraçadas porque não tinham o dinheiro solicitado. Nessa oportunidade, encontrava-me, por acaso, na farmácia do saudoso Sr. Elmo Ribeiro do Val. Quando, inopinadamente, ali chegaram as duas senhoras e relataram ao Sr. Elmo, em prantos, característica da saudosa D. Elzira, a situação embaraçosa na qual se encontravam por não possuírem, naquela oportunidade, a importância que lhes era solicitada, antevendo, assim, o desaparecimento de uma obra social de seus sonhos, que vinha prestando relevantes serviços à pobreza e aos doentes desvalidos.


Inauguração da Maternidade


Eu era, nessa oportunidade, apenas um assistente de seus dissabores, cujas lágrimas dilaceraram meu coração, e por esta razão, inopinadamente, tomei a liberdade de oferecer àquelas duas ilustres damas que vinham prestando relevantes serviços aos doentes e à pobreza de Castello, redigir um Abaixo Assinado para conseguir toda a importância por elas desejada, deixando-as esperançosas. Ato contínuo dirigi-me ao Cartório e redigi um abaixo assinado na expectativa de conseguir a importância desejada. Pus-me em campo e, primeiramente, procurei o Prefeito Dr. Mario Lima e solicitei de S. Excia a assinatura de uma importância de cinco mil cruzeiros ou melhor cinco contos de réis, apenas como chamariz, em nome da prefeitura, sem necessitar da importância.


Coloquei neste abaixo assinado a grande obra meritória das duas ilustres damas e, imediatamente assinei Rs 100$000 e assim fui conseguindo dos saudosos Elmo, Oscar Rangel, Taninho, Gatinho, Elias Mussi, Julio V. Cunha, Anysio Moreira Novais, Carlos Albuquerque, Sebastião Morais, Dr. Gastão e Cícero e tantos outros beneméritos de Castello, a importância de cinco contos de réis. Quando terminei a coleta acima referida, fiz a entrega do abaixo assinado e a importância colhida, recebi de ambas as senhoras o reconhecimento e a gratidão, pelos relevantes serviços que vinha prestando ao povo humilde da cidade e do interior. E a obra continuou indefinidamente.


Mesmo sabendo que seria uma obra gigantesca não esmorecemos em nosso ideal e assim, procurei, desde logo, a figura inesquecível do então vigário Padre Antolin, querido por toda a população de Castello, para levarmos avante tal empreendimento. S. Sa., espírito empreendedor não teve dúvidas em aceitar a idéia e, desde logo, nos dirigimos ao então prefeito, o saudoso Mario Lima, que acolheu o nosso  objetivo e por esta razão marcamos, uma reunião na prefeitura, sendo convidados para participarem da mesma os Srs. Archilau Vivacqua, Elmo Ribeiro do Val, Antônio Bento, Caio Machado Martins, Sizenando Silva e o saudoso Oscar Rangel. Não havia, naquela oportunidade, qualquer discórdia religiosa entre Católicos e Protestantes, todos comungavam dos mesmo ideais. Nessa oportunidade, depois de feitos os primeiros esclarecimentos e aceita a idéia, opinei para que o ilustre Prefeito dosse.o Presidente da Comissão, com a qual todos concordavam. Em seguida, o Dr. Mario Lima indicou o Padre Antolin, para Vice_Presidente e meu nome para Secretário Geral, sendo por todos acolhida as indicações.


A 27 de maio de 1943 reunia-se, então, pela primeira vez, no salão nobre da Prefeitura Municipal de Castello, sob a égide do Prefeito Dr. Mario Lima, uma grupo de cidadãos, certos de sua nobre missão, para unir num só esforço, num único pensamento, a fundação de uma Santa Casa de Misericórdia.Comissão:Presidente: Dr. Mario LimaVice-Presidente: Padre Antolin GonçalvesTesoureiro: Archilau VivacquaMembros Diretores: Elmo Ribeiro do Val; Antônio Bento; Caio Machado Martins e Sizenando Silva.“Orador”: Aarão Jorge Junior


Nessa oportunidade foi lavrada em seguida, a competente ata, quando foram registradas todas as reivindicações como lavratura dos Estatutos, em primeiro lugar, cuja confecção foi feita à noite, em meu Cartório, com a presença de alguns membros. Nova reunião foi feita e aprovados os Estatutos. Em seguida, de comum acordo com o extraordinário Padre Antolin, todos os sábados e domingos saíamos para o interior e, após a celebração das missas, incitávamos os fazendeiros e demais cidadãos para colaborarem com qualquer quantia para a consecução de tão vultuosa obra, em benefício do povo de Castello.


Fomos bem acolhidos em todas as nossas reivindicações, porque o povo generoso do interior do município compreendeu, desde logo, a obra benemérita que se realizaria para atender a pobreza a aos doentes de todo o município, que, naquela oportunidade abrangia os então distritos de Conceição de Castello e Venda Nova, hoje constituídos municípios independentes.


Santa Casa de Misericórdia de Castelo


Depois de percorrido todo o município de Castello e bem assim, os então distritos de Conceição de Castello e Venda Nova e ainda o de Aracuí, resolvemos fazer uma comissão composta por mim, Pe Antolin, Abílio de Tassis e Antônio Bento com a finalidade de conseguir mais recursos na cidade do Rio de Janeiro e posteriormente Vitória e Cachoeiro do Itapemirim, cujos doadores tiveram seus nomes inscritos no respectivo livro de atas e também constante nos estatutos, como gratidão a todos aqueles que, de boa vontade contribuíram com suas ofertas grandes e pequenas.


Com algum dinheiro em caixa tornava-se indispensável adquirir o terreno no melhor e mais condizente local para a construção da futura Santa Casa de Misericórdia. Proclamada essa intenção e marcado o dia da reunião na Prefeitura, sob a Presidência do então Prefeito e Presidente da Comissão, ali compareceram os pretendentes à venda Sr. Edson Guimarães, oferecendo os terrenos do antigo campo de esporte do Castelo F. C.; Argelim Cola, oferecendo suas casas ali no centro da cidade; o representante do proprietário dos terrenos do lado oposto do rio, próximo à antiga chácara da família Egydio Vivacqua, de quem já havia adquirido. Posta as propostas sobre a mesa e estudadas suas condições e conveniências, como Secretário da Comissão, propus a aceitação da compra da chácara então pertencente a Cid Azevedo, no centro da cidade, onde havia um velho casarão da família citada e uma área de terra com muitas árvores frutíferas, com 16.000 metros quadrados, partindo da rua Antônio Machado na confluência com a rua Cruz Maia, hoje denominada Antônio Bento, em linha reta até a confluência com a rua que se dirige ao bairro de Santo Andrezinho e dali partindo até encontrar o Rio Castello. O preço oferecido por Cid Azevedo foi de, apenas, sessenta contos de réis, de cuja importância, retiraria cinco contos de réis, como contribuição para a construção da Santa Casa. Postas as propostas em votação, por unanimidade foi aceita a compra dos terrenos pertencentes a Cid Azevedo, porque esta oferecia, sob todos os títulos as melhores condições.


Lavrada em seguida, a competente escritura, a Comissão mandou confeccionar a antiga planta, para ser construída na confluência das ruas hoje denominadas Antônio Bento com a rua Antônio Machado, cujo frontispício ou fachada, ficaria na esquina das citadas ruas.


Concluída a construção a comissão, desde logo, pôs-se em campo para adquirir os necessários equipamentos como móveis e maquinários, tanto para a sala de operações, como para os quartos e enfermarias, fogão, louças, panelas e ainda talheres, roupas e tudo o mais para complementação da grandiosa obra que seria, por certo, um grandioso empreendimento para a consecução de um ideal em benefício da coletividade.


É indispensável esclarecer que, logo após à aquisição do referido terreno da Santa Casa, já havia no local onde hoje encontra-se a Capela, um velho prédio assobradado, antiga residência da família Egydio Vivacqua. Tudo de acordo com o saudoso médico Dr. Gastão Correa de Lima, naquele velho prédio instalamos consultórios, farmácia, secretaria, bem como enfermaria para os doentes mais graves e pobres, e tudo o mais que se fizesse indispensável para o pronto atendimento, até a inauguração da própria Santa Casa.
Mensagem do Bispo - Dom José J. Fernandes
Em 3 de dezembro de 1944, em Assembléia Geral Extraordinária, realizada nas dependências do Castello Club, era eleita a Diretoria Definitiva, com mandato de 2 anos, composta por:

Presidente: Mário Corrêa Lima

Vice-Presidente: Padre Antolin Rodrigues

Tesoureiro: Archilau Vivacqua

Secretário: Aarão Jorge Júnior

Membros Diretores: Caio Machado Martins; Sizenando Silva; Elmo Ribeiro do Val e Antônio Bento.


A relação dos sócios fundadores da Santa Casa, listados, naquela ocasião era composta de 303 cidadãos.


Concluída a construção da Santa Casa, os membros da Comissão construtora, estabeleceram o dia de sua inauguração, ou seja, 19 de outubro de 1947.


Aarãozinho proferindo o Dircurso de Inauguração da Santa Casa

Tivemos a honra de convidar para presidir sua inauguração o eminentíssimo e saudoso Bispo Diocesano do Espírito Santo, Dom Luiz Scortegagna e bem assim numerosos Padres, além da convocação do povo de todo o município e do então Governador do Estado Dr. Jones dos Santos Neves.


Discurso publicado na imprensa local (final)

As ilustres damas D Elzira Vivacqua e Nali Faria Marques, já haviam entrado em entendimento com a Superiora Geral das Irmãs Vicentinas, e S. Exca. Revma. Concordou e enviou três irmãs que assistiram as festividades, e, em seguida, continuaram, como até hoje [data do depoimento] prestando relevantes serviços à comunidade.


Mantive correspondência com a D.D. Superiora Geral da Irmandade Irmã Blanchot, dando-nos completa assistência.


O povo do município participou, de maneira prodigiosa àquela belíssima solenidade, para a qual tive a honra e a glória de fazer o discurso inaugural, com a presença de todos os membros da Diretoria e do povo em geral.


Concluída, em 19 de outubro de 1947, foi entregue às Rvmas Irmãs Vicentinas a Santa Casa de Misericórdia de Castello. E, constituída uma Diretoria, fui eleito seu Presidente e, consequentemente seu Provedor, dando-lhe a indispensável assistência.

SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE CASTELO (tempo presente)

Verão a sua face e o seu nome estará sobre suas frontes. (Ap. 22: 4)



Notas:

(1) VIEIRA, José Eugênio. 'Castello': Origem, Emancipação e Desenvolvimento. Vitória: Traço Certo, 2004.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Terra Prometida: Jorge Aarão, o Patriarca




Eis que eu vos entrego esta terra. Ide e possuí a terra que jurei dar a vossos pais Abraão, Isaac e Jacó, a eles e à sua posteridade. (Dt 1: 8)



Meu bisavô veio do Líbano em fins do século XIX. Nada sei sobre sua vida lá. Mas, sabemos o que foi e o que fez quando chegou ao Brasil. Voltou ao Líbano uma única vez: para encontrar uma esposa. Encontrou Latife Salim, casou, e voltaram para o Brasil. Temos notícias do Vovô Jorge por algumas passagens em livros sobre a imigração libanesa no Espírito Santo.


Mintaha A. Campos (1987), por exemplo, escreveu sobre ele em sua dissertação de mestrado:


Jorge Aarão chegou a Piúma e depois a Monte Belo, município de Iconha, no ano de 1897, com 33 anos de idade, tendo ali fixado residência.
Depois de mascatear, com grande dificuldade, por estradas intransitáveis, percorreu diversos municípios do Estado [do Espírito Santo] e de Minas Gerais. Conseguiu amealhar alguns poucos recursos e adquiriu uma pequena propriedade em Monte Belo, dando início ao seu comércio, onde não havia um só "patrício" [libanês]".
Com sua vinda para Iconha, vieram ao seu encontro outros parentes, como Felipe Moyses, Simão Abrão, Moyses Antonio, Nicolau Naschef, Miguel Bassul, Farid Aarão e seu irmão Aarão Francisco e muitos outros que se fixaram em Monte Belo, tornando-se depois grandes comerciantes.

Disse Aarãozinho, em entrevista à M. Campos:

Meu pai foi o pioneiro e o patriarca da colônia libanesa de Iconha, tendo todos eles recebido o seu apoio moral e material para iniciarem-se na vida comercial. (pg. 78)


No mesmo sentido descreveu Idalgiso Simão (1991):

Jorge Aarão foi o pioneiro, o primeiro de Maghdouche a vir para Salto Grande-Monte Belo, pois através de sua liderança, sua orientação e seu trabalho, outros vieram também, quase todos parentes.
Carta de Jorge Aarão para o filho Aarãozinho
Jorge Aarão, um grande líder, orientou e ajudou os seus compatriotas, homem de fibra, sempre enfrentou corajosamente a adversidade; properou bastante no comércio auxiliado por seus filhos dinêmicos e sua Exma. esposa, Dona Latife Salim Aarão, mulher extraordinária, muito dedicada ao lar com uma família numerosa e maravilhosa e grande tirocínio comercial e político. Tanto Jorge Aarão como a sua esposa, Dona Latife faleceram com idade avançada e estão sepultados em Vitória. Ele era muito religioso.

A relação de "patrícios" que vieram para o Espírito Santo tendo como apoio Jorge Aarão é muito extensa. Idalgiso Simão relaciona, só em Iconha, 94 imigrantes! Ele dedica um capítulo de seu livro ao "Sobrado de Jorge Aarão". Escreve Idalgiso:

Por fora, pintado de branco, símbolo de paz, demonstrando a coragem, o arrojo, o espírito de aventura, a inteligência, o tirocínio comercial dos sírios e libaneses com cidadania turca.
Semelhante a uma sentinela velando, noite e dia, pelos seus compatriotas que se sentiam seguros, tranquilos, confiantes porque naquele casarão residiam um benfeitor e uma família maravilhosa que cooperavam com eles na caminhada inicial por regiões desconhecidas.
Carta de Latife Salim para o filho Aarãozinho 
O meu pai sempre me falava que Jorge Aarão foi o pioneiro, o primeiro, de Maghdouche a vir para Salto Grande (Monte Belo) município de Iconha. Homem de fibra, trabalhador, incansável, grande comerciante, religioso, casado com a Sra. Latife Salim Aarão, ela enérgica, grande tirocínio comercial e político. 
No andar térreo, a casa comercial e a padaria; no andar superior, a sala de visitas com os móveis bonitos e bem acabados, contendo nas paredes algumas fotografias da família, entre as quais, a de Elias Aarão, os pais de Dona Latife e outras que não consigo lembrar. Da sala de visitas para a de jantar, havia um corredor com várias portas à direita e à esquerda, eram os quartos. A seguir, a copa, cozinha, despensa.
O sobrado, para os patrícios, simbolizava também um pequenino pedaço de seu torrão natal plantado no interior do município de Iconha.
A senhora Sely Beiryz Monteiro, lembrou-me do seguinte: a nascente e a Biquinha d'água de Jorge Aarão. O balde amarrado a um arame que, por uma roda, levava o balde ao rio para apanhar água".
ICONHA - Espírito Santo

Filhos:

José Aarão
Aarão Jorge Júnior  (Aarãozinho)
Elias Aarão
Salim Aarão 
Carlindo Aarão
Altamiro Aarão
América Aarão
Carlinda Aarão
Erlinda Aarão


"O fermento foi feito em Monte Belo; a boa cresceu em Vitória", disse um patrício que se destacou. E, de Vitória para o Brasil.

Maghdouché

Maghdouche, terra de Jorge Aarão, não era mais do que uma pequena aldeia de pastores, no final do século XIX. Distrito de Sidon, não mudou muito desde então, ao que parece.

Ficou muito conhecida pelo Santuário de Nossa Senhora de Mantara. Que foi construído no local onde, segundo a Tradição, a Virgem Maria teria esperado Jesus e seus apóstolos.

Santuário Nossa Senhora de Mantara

A gruta onde a Virgem Maria teria descansado.

Sidon

Sidon, ou Saida, cidade natal de Latife Salim, dispensa apresentações. História importante e multimilenar. Foi uma importante Cidade-Estado Fenícia. Dentre tantas outras coisas. Um porto importantíssimo e estratégico no Mediterrâneo.

Castelo do Mar - Construído pelos Templários

Grande Hotel Brasil - Cachoeiro de Itapemirim

Grande Hotel Brasil
Além do estabelecimento em Iconha, Jorge Aarão fez incursões comerciais em Cachoeiro do Itapemirim. Foi sócio do Grande Hotel Brasil. Depois, Aarãozinho comprou a sociedade e se tornou o único proprietário. Foi ali que ele conheceu Zenaide Ribeiro.









Bibliografia:
CAMPOS, Mintaha Alcuri. Turco Pobre, Sírio Remediado, Libanês Rico: A trajetória do imigrante libanês no Espírito Santo. Vitória: IJBN, 1987.
SIMÃO, Idalgiso. História de uma Colonização. Cachoeiro de Itapemirim: Frangraf, 1991, 2ª edição.


domingo, 22 de maio de 2016

Proclame a Casa de Aarão:


eterna é a sua misericórdia! (Salmo 117)

Aarão Jorge Junior, o Aarãozinho, foi um homem iluminado. Deixou sua marca por onde passou. Filho de imigrantes libaneses, que aqui chegaram sem nada, alçou voo e, ao longo de sua trajetória, mostrando tenacidade e força de vontade, construiu uma família amorosa e legou um valioso espólio às comunidades em que viveu. Nada de grandioso que vá constar nos livros que as meninas e meninos brasileiros  leem em seus almanaques de História. Mas, na sua simplicidade, no ambiente em que viveu, foi peça fundamental para o enriquecimento e desenvolvimento da sociedade.

Álbum de mémórias do  Aarãozinho
Ele é o meu avô, e o digo com muito orgulho. E, hoje, lendo os arquivos que nos deixou, deu-me vontade de criar estas páginas para mostrar aos seus descendentes quem foi este homem, do qual devem se orgulhar, e o porquê.

Será, também, uma espécie de sala de jantar misturado com sala de visita, ou uma varanda, ou beirada de fogão de lenha, onde poderemos conversar e contar nossas histórias - entre nós e os amigos -, que é, ao fim ao cabo, a história do próprio Aarãozinho e de Dona Zenaide, sua amada esposa. Em nossas vidas podemos, também, perpetuar e realizar os seus sonhos: uma família que se ame e contribua, na medida de cada um, com a sociedade em que vive.

Curioso que, nos documentos que Aarãozinho nos legou, a pasta com as suas memórias, começa, exatamente, no casamento com Zenaide Ribeiro. Assim, como se ele considerasse que sua própria vida só tomou sentido, e teve importância, a partir da constituição de uma família. A primeira página do arquivo, com efeito, é exatamente uma foto do casamento com Zenaide, e a data que delimitou como abertura é logo após este enlace. 

Casamento de Aarão e Zenaid
Aarãozinho era filho de Jorge Aarão e Latiffe Salim. Ele, o pai, nasceu em Magdouche (Líbano), a terra de Nossa Senhora Mantara, e a mãe em Saida, ou Sidon, também no Líbano, Um pouco de suas histórias contaremos depois. Será um trabalho de garimpagem porque não tive o talento de perquirir suas histórias enquanto eles estavam entre nós.

Jorge Aarão e Latiffe Salim
Zenaide e Aarãozinho se casaram ainda no tempo em que se faziam "ajustes de casamento" antes das bodas, como vocês podem ler na imagem abaixo. 

"Ajuste de Casamento" entre Aarãozinho e Zenaide
O seu amor por Zenaide, deixou documentado em inúmeras correspondências. É um deleite lê-las, tal como esta:

Carta de Aarãozinho à Zenaide
Zenaide e Aarãozinho tiveram três filhas: Consuelo (Consu), Regina Martha (Maguinha), e Maria Bernadete (Betina). Que por sua vez geraram: Tânia Cristina e Cláudio (filhos de Regina); Rachel, Patrícia e Silvana (filhas de Consuelo); e Philippe (filho de Betina).

Aarãozinho e Zenaide com as filhas: Consuelo, Regina e Bernadete
Já estamos na quarta geração com: Gabriela e Pedro (filhos da Tânia); Bruno (filho da Silvana); e Gabriel, Luana e Luiza (filhos de Patrícia).

Zenaide e os netos e bisnetos: Tânia, Cláudio, Rachel,
Silvana, Gabriela, Philippe, Bruno, Gabriel, e Pedro

As mais novas da família: as gêmeas Luiza e Luana

Betina, Philippe, Rachel, Patrícia e Silvana
Mas havia uma coisa que Aarãozinho amava tanto quanto a família: a Santa Casa de Misericórdia de Castelo, Espírito Santo, da qual foi o idealizador, construtor, e provedor por longos anos, e a Capela de Nossa Senhora das Graças que construiu, em anexo. São histórias para capítulos especiais. Assim como da idealização e construção da Escola Normal em Ibiraçu, Espírito Santo.

Aarãozinho, preocupou-se com três coisas que estão muito esquecidas, pelo menos pelas autoridades brasileiras: a família nuclear, a educação e a saúde do povo.  

Altar da Capela N. S. das Graças